Trump Ameaça Mais Tarifas à China e Pressiona Fed a Cortar Juros

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A crise comercial que se desenrola entre os Estados Unidos e a China ganhou novos contornos quando o presidente norte-americano, Donald Trump, ameaçou adicionar mais 50% às tarifas já impostas sobre produtos chineses. Caso o governo de Pequim não reverta o recente aumento de 34% até 8 de abril de 2025, as tarifas dos EUA atingiriam um total de 104%, uma cifra capaz de agravar ainda mais o conflito entre as duas maiores economias do planeta. Em meio a esse cenário de tensão, a Casa Branca foi obrigada a desmentir o rumor de uma trégua de 90 dias nas taxações, classificando a informação como “Fake News” e reafirmando que não pretende conceder qualquer suspensão temporária.

Enquanto o mercado absorvia as incertezas, a União Europeia procurou oferecer uma saída ao propor a eliminação mútua de tarifas para bens industriais, inspirada em negociações anteriores que não avançaram. Porém, a ameaça de uma nova escalada tarifária gerou instabilidade em Wall Street, com os índices acionários vacilando entre altas e quedas impulsionadas por especulações sobre uma possível renegociação ou mesmo recuos pontuais. Num movimento de alerta, grandes bancos internacionais passaram a promover discussões emergenciais, preocupados com a volatilidade e a possibilidade de uma crise econômica mais profunda.

Em paralelo, vozes do setor empresarial também se manifestaram. Jamie Dimon, CEO do JPMorgan Chase, advertiu que qualquer aumento significativo de tarifas pode pressionar ainda mais a inflação, encarecendo não só os bens importados como também os produzidos localmente, cujo custo de insumos tende a subir. Ele enfatizou a fragilidade da economia norte-americana, destacando que a desaceleração do crescimento, já presente em alguns indicadores, tende a se agravar. Nesse mesmo clima de cautela, corporações de vários segmentos adotaram estratégias de proteção. A Apple, por exemplo, avalia expandir a fabricação de iPhones na Índia para reduzir a dependência da China, ao passo que a montadora Stellantis promete amparar financeiramente seus fornecedores impactados pelas oscilações de custos.

A movimentação não se restringe aos setores de tecnologia e automotivo: empresas aéreas e de logística seguem acompanhando de perto as possíveis ramificações de uma taxação acentuada, sobretudo depois de a Boeing firmar um acordo para evitar o julgamento civil sobre o acidente envolvendo a Ethiopian Airlines. Essa resolução, embora não esteja ligada diretamente às tarifas, reflete o anseio por maior estabilidade num momento em que cada novo fator de risco pode abalar o equilíbrio dos mercados.

Até o momento, não há consenso sobre uma solução definitiva para o embate. Os Estados Unidos mantêm a postura firme de elevar as barreiras sobre produtos chineses se o governo de Pequim não recuar, enquanto a União Europeia busca diálogo para atenuar o embate e evitar uma reação em cadeia que prejudique as trocas comerciais globais. De um lado, cresce a incerteza nos mercados, que oscilam a cada novo anúncio ou boato sobre tarifas e negociações; de outro, empresas e bancos correm para realinhar suas estratégias, buscando saídas que lhes permitam contornar eventuais aumentos de custos e manter a confiança de investidores.

Em última análise, todos os envolvidos no comércio internacional estão atentos aos próximos passos de Trump e ao desenrolar dos diálogos entre Pequim e Washington. Com a possibilidade de uma taxação que beira os 104%, a tensão paira no ar, enquanto grandes instituições buscam sinais de que, no fim das contas, prevalecerá algum tipo de consenso diplomático. Seja como for, a conjuntura se mostra especialmente desafiadora e pede que governos, companhias e investidores mantenham flexibilidade e preparo para atuar em meio a uma tempestade comercial que parece longe de se dissipar.

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